A palavra de ontem no Palavrinha foi COBRE. Um metal vermelho que está na base de toda a civilização técnica — da primeira liga metálica da história ao cabo que alimenta o seu smartphone.

O Metal da Ilha de Chipre

"Cobre" vem do latim cuprum, abreviatura de aes Cyprium — "bronze de Chipre". A ilha de Chipre (em grego Kypros) era o maior produtor de cobre da Antiguidade mediterrânica, e o metal ficou para sempre com o nome da ilha. Em inglês, copper; em alemão, Kupfer; em muitas línguas europeias, variações do mesmo topónimo. O nome químico do elemento, Cu, é a abreviatura de cuprum.

O cobre foi o primeiro metal trabalhado pelo ser humano — as mais antigas peças de cobre fundido datam de cerca de 5000 a.C. no Médio Oriente. Quando misturado com estanho, cria o bronze, e foi essa liga que deu nome a uma era inteira: a Idade do Bronze (c. 3300–1200 a.C.), o período em que as primeiras civilizações complexas — Suméria, Egito, Grécia micénica — construíram as suas armas, ferramentas e utensílios.

O Metal da Electricidade

Com a Revolução Industrial e a descoberta da electricidade, o cobre tornou-se ainda mais essencial. A sua condutividade eléctrica é quase sem par entre os metais comuns — só a prata conduz melhor, mas é muito mais cara. Foi o cobre que tornou possível os cabos de telégrafo que encobriram o mundo no século XIX, os motores de Tesla e Edison, e as redes eléctricas que ainda hoje alimentam as nossas casas.

Minério de cobre de alta qualidade com a característica coloração vermelho-alaranjada do metal.
Minério de cobre com a característica coloração vermelho-alaranjada. O Chile é hoje o maior produtor mundial — como Chipre foi na Antiguidade.

No século XXI, o cobre tornou-se o "petróleo verde" da transição energética. Os painéis solares, as turbinas eólicas e os veículos eléctricos precisam de três a quatro vezes mais cobre do que as tecnologias que substituem. O metal que inaugurou a civilização está também no centro da sua reinvenção — cinco mil anos depois.